terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ocupações ilegais

Os aglomerados humanos tendem a se expandir cada vez mais geograficamente e foi de interesse do bom funcionamento das organizações que se fossem regularizadas as ocupações de terrenos. Numa visão teórica bem básica o que ocorre é o alargamento das vilas, cidades, pelos novos territórios avançados por seus habitantes, mas a sociedade, vira e volta, cria vieses dentro de si. Quando não há fiscalização eficiente qualquer pessoa pode estabelecer o que lhe bem vier à cabeça onde for que lhe convenha. Essa falta é uma janela permitindo a passagem de muitos problemas para todos e quando a janela se abre muito os problemas são inimagináveis.

No município de Chapada dos Guimarães descobriu-se uma invasão de terras como se depara com um fungo na parede depois de voltar de viagem. 300 hectares de terras invadidas por centenas de pessoas, sem saneamento básico, eletricidade legalmente distribuída. Alguns ainda fazem disso um lucro certo a custo do delito coletivo cobrando taxas para permanecerem habitando no "grilo". Os grileiros admitem arrecadar mais de R$2 milhões e falam ser tão fácil conseguir um terreno como perdê-lo: “Se você pegar e sumir, já perdeu também”.

 O prefeito concorda que "algo deve ser feito".

Por sua vez, em São Paulo, a maior cidade do país, favelas estão sendo erguidas no centro da cidade às ruínas da cracolândia (Parte da cidade onde os usuários de craque se reúnem). Não requer muito esforço para perceber que aqueles que vivem ali mantém uma ligação muito forte com o tráfico e uso de drogas. O problema é muito mais antigo, pois todos eles já viviam perto em um terreno abandonado, mas veio a polícia e os expulsou. Por muito tempo costumavam ir embora pela noite, mas de um tempo em seguinte levantaram barracos e ficam por lá desde então causando medo nos moradores da região.

 Favela filha da cracolândia toma conta da rua.

Cuiabá, cidade centenária, sofre com problemas semelhantes. O centro histórico enfrenta vandalismo constante de moradores de rua que aproveitam a falta de fiscalização para arrombar o patrimônio cuiabano e fazê-los de dormitório. Não suficiente, os casarões também são violados para funcionamento de prostíbulos e bocas de fumo que minam o direito dos cidadãos de transitar em segurança.

Casarões abandonados.



Isso é a ponta da agulha. Deve ser encontrada a mão que a empurra. São coisas que só acontecem quando ações básicas são deixadas de lado no início do processo. Quando se vai construir uma usina, por exemplo, a área a ser remanejada não é somente a que será desapropriada, mas também onde serão acomodadas as famílias. Antes de serem punidas as pessoas precisam de opção para seguir uma vida digna. Não é uma questão de punição. É uma questão de condução. Esse descaso é o que cria o alargamento das margens sociais.

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